‘Spreads’ mínimos no crédito da casa sobem mais de 40%

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Escolher o banco que oferece o ‘spread’ mais baixo permite poupar mais de 18 mil euros no empréstimo.

À parecença do que se passa com as comissões cobradas no crédito à habitação, também os ‘spreads’ praticados pelos bancos têm vindo a incidir o efeito da crise financeira e a necessidade destes arrecadarem mais dinheiro.

Em seis meses, os ‘spreads’ mínimos publicitados nos preçários dos dez principais bancos a operar em Portugal aumentaram, em média, mais de 40%. No início do ano, a média dos ‘spreads’ mínimos era de 0,86% (excluindo o Banco Popular). Hoje, a média desses ‘spreads’ já é de 1,25%. No caso do Barclays, é onde se nota um crescimento mais acentuado do ‘spread’ mais baixo. Este situa-se nos 1,15%, bastante acima do que acontecia em Janeiro, e que se justifica com o fim de uma campanha promocional que o Barclays levava a cabo desde o início de 2009. No entanto, qualquer das restantes instituições bancárias tem apostado em força no aumento dos seus ‘spreads’, apresentando aumentos superiores a 17%.

Estas subidas podem acrescentar vários zeros no valor da factura final do cliente do crédito à habitação e “encostar à boxe” a influência dos valores que os bancos cobram em comissões.

O ideal será conjugar o melhor destes “dois mundos“. Ou seja, conseguir o ‘spread’ mais baixo no banco que menos encargos cobra ao cliente. Esta análise é possível de fazer através da comparação da TAE (Taxa Anual Efectiva) oferecida pelos bancos. Esta taxa inclui todos os encargos associados ao crédito. Nomeadamente, o ‘spread’ e os encargos com comissões. Nas simulações convencionais de crédito à habitação dos bancos, a divulgação desta taxa é obrigatória.

De acordo com os preçários dos bancos, o Popular é a instituição que pratica o ‘spread’ mais baixo (0,6%), enquanto o Crédito Agrícola disponibiliza o mais alto (1,6%). Ter um ‘spread’ de 1,6%, por oposição a 0,6% pode significar um custo anual acrescido superior a 600 euros. Fazendo as contas verifica-se que, um empréstimo de 100 mil euros a 30 anos, indexado à Euribor a seis meses (média de Junho) com um ‘spread’ de 0,6% teria uma prestação de 350,52 euros. Aumentando o ‘spread’ para 1,6% o encargo mensal sobe para 400,97 euros. Uma diferença de 50,45 euros por mês ou de 605,4 euros por ano. Mas, na totalidade da vida do empréstimo é que se sente o peso dos zeros acrescidos à factura. A diferença entre os dois cenários é superior a 18 mil euros.

Contudo, é necessário ter em atenção que o ‘spread’ mínimo só está ao alcance de uma minoria de clientes. Estes terão que apresentar um baixo perfil de risco, uma elevada fidelização com o banco- nomeadamente com a subscrição de produtos de ‘cross selling’-, ter uma baixa taxa de esforço (peso da prestação no rendimento mensal do cliente), bem como rácios de financiamento inferiores a 50%. A contratação de produtos dos bancos é, aliás, um dos argumentos que os bancos mais utilizam junto dos clientes para oferecer-lhes ‘spreads’ mais baixos. Se a domiciliação de ordenados e de despesas periódicas não acarreta encargos acrescidos, o mesmo já não acontece se subscrever um seguro ou cartão de crédito. Para verificar se os custos não diluem os ganhos, o ideal é comparar a TAE com a TAER (Taxa Anual Efectiva Revista), que inclui o impacto de todos esses encargos acrescidos.

Aumento
This entry was posted on Friday, July 9th, 2010 and is filed under Crédito. Você pode seguir todas as respostas a esta entrada com RSS 2.0 feed. Você pode deixar uma resposta, ou trackback do seu próprio site.

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